30 de novembro de 2009

Gravador de Blu-ray Disc

Desde o gravador de fita de videocassete, lançado em 1975, que ainda continua em atividade em muitos lares do mundo todo, não apareceu nenhum substituto, para fazer as gravações de programas que não vai poder assistir, ou então para deixar guardada e um dia assistir para matar a saudade, desde que foi iniciada a era da TV Digital de alta definição, nos EUA em 1998. Existiram alguns como D-VHS (Digital VHS) por pouco tempo, e nada mais significativo. Gravadores DVD como aparelho, existem muito pouco, ficando mais em PC.

A mídia desenvolvida para armazenar as imagens de alta definição é o Blu-ray Disc da Sony, capaz de armazenar mais de 3 horas de gravação, num disco de uma só camada (25GB). Hoje o gravador de Blu-ray Disc disponibilizado na maioria dos países é o drive para microcomputadores, assim mesmo com muitas restrições para reprodução de discos de filmes comerciais (BD-ROM). As imagens são liberadas somente com placas e softwares homologadas e habilitadas. Na ilustração, um drive Blu-ray da Pioneer, BDR-205, com velocidade de até 12x para gravação em BD-R (dizem que é o limite máximo).

O que vem gerando muita polêmica é a proteção dos direitos da imagem de alta definição. O que era quase impossível proteger contra cópias em sinais analógicos, e também não havia grande preocupação por causa da qualidade da imagem do videocassete (320x240 - NTSC), mas hoje, com sinais digitais é possível inserir proteção contra cópias não autorizadas, principalmente por causa das imagens de alta definição, a preocupação é enorme. Ou seja, como evitar que um filme ou um programa seja gravado, e cópias piratas sejam comercializadas em imagens de alta definição. Diferente do DVD que precisa reduzir a qualidade da imagem, para poder gravar um filme num disco de camada simples (4.7GB).

Existem verificações em vários pontos contra cópias não autorizadas. No Blu-ray Disc, existe o AACS (Advanced Access Content System), nas interfaces de vídeo como HDMI e DVI tem o HDCP (High-bandwidth Digital Content Protection), e também o DTCP (Digital Transmission Content Protection) e outros mais. Ou seja, você não vê mas está cheio de verificações em todos os cantos, como o SOC (Selected Output Controls) para ver a quem liberar a imagem, e o CCI (Copy Control Information) para ver se é Copy Free (cópia livre), Copy Once (só uma cópia), Copy No More (chega de cópias!) e Copy Never (cópia jamais!). Na transmissão da TV Digital também existem estas informações.

Blu-ray Recorder no Japão

Um país com muitos gravadores de Blu-ray Disc é o Japão. Pois é um país que no início do Blu-ray Disc, praticamente só foram lançados gravadores, contrário de outros países, o Playstation 3 da Sony era o único Blu-ray Disc Player disponível inicialmente. Está certo que é um povo que gosta de fazer gravação.

Copy Once: Inicialmente (a partir de 5.4.2004) a liberação de cópias para programas do TV Digtal Full-seg no Japão, era o de Copy Once (só uma cópia), e como praticamente todos os gravadores tem um HDD (Hard Disk Drive) interno para fazer a primeira gravação (uma cópia), poderia manter por lá, ou transferir para um DVD ou Blu-ray Disc, que é considerado como um Move (movimentação), processo que automaticamente apaga o que está no HDD. No Copy Once não há liberação de sinais analógicos para evitar cópias. Na transmissão One-seg a cópia é liberada.

As mídias DVD e Blu-ray Disc precisam ser especiais para vídeo (existem tanto para dados como para vídeos  no Japão - DATA ou VIDEO), mas no computador podem ser usadas qualquer uma delas sem problema. O DVD para vídeo vem identificado como CPRM (Content Protection for Recordable Media). Estas mídias são identificadas também com logos das transmissões digitais, além da informação do tempo de gravação. Em BD-R de uma camada, vem com a informação de 180 minutos de gravação para ISDB-T e 130 minutos para BS (ISDB-S), porque a taxa de transmissão por satélite é maior (24 Mbps) do que a terrestre (17 Mbps). Esses discos, uma vez gravado, só conseguem reproduzir em Players habilitados, e não conseguem mais fazer cópias deles.

Durante este processo de Move, pode ocorrer qualquer uma das eventualidades como, problema no drive, na mídia, falta de luz, etc. e perder tudo, pois apaga no HDD e nem foi gravado no disco. Se copiar 1 minuto de uma gravação de 3 horas, já é considerado Move e apaga o que está no HDD.

Dubbing 10: Houve tanta crítica do Copy Once que desde 4 de julho de 2008, foi implantado o Dubbing 10, ou seja 9 cópias e 1 Move. Somente para programas da NHK e TVs aberta. TVs por assinatura continuam Copy Once. Foi liberado também cópias livres para sinais analógicos. Este processo é válido somente para os que tem HDD interno (quase todos), pois no caso de gravação direta para DVD ou Blu-ray Disc se torna Copy Once. Os gravadores anteriores continuam como Copy Once, ou seja, quem tinha, precisa comprar um novo, se quiser fazer o Dubbing 10.

É importante salientar que dependendo do programa, a emissora pode não permitir cópia alguma (Copy Never), ou seja, na realidade quem controla a cópia é a emissora. O pior é que não há nenhuma informação nas programações das emissoras, sinalizando quais os programas são liberados ou não para cópias, ou seja, corre o risco de chegar em casa com toda a vontade de assitir e não ter a gravação.

Muitos reclamam que os honestos que seguem a regra, acabam fazendo o papel de bobo. Um funcionário da Toshiba da cidade de Saku em Nagano, foi preso pela polícia da província de Ehime, acusado de venda de software que destrava o Dubbing 10, pela internet. A reclamação é geral, dizendo que o Japão é o único país do mundo com controle de cópias de programas de TVs aberta.

B-CAS: Outra grande polêmica, é o chamado cartão B-CAS (BS - Conditional Access Systems). Originariamente era utilizado para acessar a transmissão de TVs aberta e paga (Wowow e Star Channel) por satélite BS, mas com a alegação de controle para o Copy Once e como parte do gerenciamento digital dos direitos do autor (DRM - Digital Rights Management), fazendo a certificação de recepção e da legitimidade do receptor, começou a estender tanto que atingiu até a transmissão de TV aberta ISDB-T, onde é necessário pagar uma taxa pelo cartão (ou já vem embutido no preço do receptor) e fazer o cadastro de dados pessoais. Uma grande crítica se dirigiu ao cadastro, pois poderá se tornar o maior banco de dados de informações pessoais do país e ninguém sabe direito a que (ou a quem) se destina.
Existem várias cores de cartões, identificando a liberação do acesso, vermelho para BS/110°CS e ISDB-T, azul para ISDB-T, laranja para TV a cabo (CATV), etc. Este cartão se torna pessoal, por causa do cadastro e não pode ser entregue a terceiros, como no caso de vender o televisor. Foi lançado também o miniB-CAS para ser utilizado em receptores para microcomputadores. Parece que a partir de 2010 não será mais necessário fazer o cadastro no caso do cartão azul (ISDB-T). Vários outros temas estão em estudo e discussão e portanto pode ocorrer alguma mudança no procedimento para o acesso a ISDB-T.

NHK: No Japão, também é obrigatório o pagamento de taxa anual para a recepção de transmissões da emissora estatal NHK (Nippon Hoso Kyokai - Japan Broadcasting Corporation). Na realidade o sinal é aberto, e tem acesso até quem não paga. Este pagamento dá direito de acesso a todas as transmissões da emissora. No analógico e digital por terrestre, tem a Geral (GTV - General Television) e a Educativa (ETV - Educational Television), e por satélite tem as BS1, BS2 e BShi, todas com programações diferentes.

Gravador: Apesar de tudo, os gravadores de Blu-ray Disc evoluiram muito e o preço vem reduzindo. Como no videocassete, eles têm o receptor digital integrado (1 ou 2) e na maioria é possível gravar dois programas diferentes (nunca o mesmo) simultaneamente, e outros recursos como capturar imagens de fitas de videocassete, de filmadoras digitais e de câmeras digitais, etc. e editar, retirar comerciais e gravar em DVD ou BD (normalmente em BDAV), etc., e quase tudo num procedimento simples e automático. É praticamente um computador multimídia de edição e gravação em DVD e BD, além de um ótimo Player com recurso de Upscaling e prontos para x.v.Color e DeepColor. A maioria grava tanto em MPEG-2 TS ou MPEG-4 AVC.

A capacidade de armazenamento em HDD aumentou tanto que, de 250GB a 500GB são normais, e os de 1TB (Tera Byte) custam por volta de US$ 1,200.00 e os de 2TB, com capacidade de gravação de 254 horas a um pouco mais de 1.400 horas, em Full HD, dependendo da qualidade da imagem, podem ser encontrados por volta de US$ 2,000.00.

Apesar do preço da mídia BD-R estar aproximando de 2 dólares cada (25GB), e do tipo LTH (Low To High) já encontrar por menos de 2 dólares, é possível fazer a gravação em DVD utilizando o formato AVCREC em alta definição, utilizando o codec de MPEG-4 AVC/H.264. Podendo fazer gravações desde 40 minutos a mais de 3 horas em DVD, dependendo da qualidade da imagem selecionada. Apesar de ter sido implementado pela BDA (Blu-ray Disc Association) em 2007, algumas empresas como a Sony e a Sharp não aderiram, e por isso pode ter problemas de reprodução em alguns equipamentos. Na realidade a diferença de preço entre as mídias reduziu tanto que hoje não tem muito sentido, afinal uma é de 4.7GB e a outra de 25GB e a tendência é de redução.

Existem ainda os gravadores de Blu-ray Disc com HDD e fita de videocassete VHS, que são ótimos para assistir ou converter as fitas VHS para DVD ou Blu-ray Disc.

A Sharp lançou o HDTV Aquos série DX2, que vai de 26 a 52 polegadas, e que já vem com o gravador de Blu-ray Disc integrado. Dependendo da qualidade da imagem, em disco de camada dupla, BD-R DL (50GB), consegue gravar até 30 horas em alta definição, no codec MPEG-4 AVC. Neste caso, como a gravação é feita diretamente em DVD ou BD, se torna Copy Once.

Voltando à realidade brasileira, por enquanto a cópia é liberada por aqui, com restrição controlada pela emissora. Algumas TV por assinatura oferecem gravadores com HDD interno, mas quando será que teremos o gravador de Blu-ray Disc, ou será que não teremos. Por enquanto é utilizar o computador.

Atualizações

05/jul/2010: A B-CAS do Japão anuncia que a partir do final de março de 2011, não será mais necessário realizar registro dos dados pessoais em nenhum dos cartões, o que já vinha ocorrendo desde março deste ano nos cartões para ISDB-T (azul).

16/jul/2010: A Sharp anuncia que os gravadores de Blu-ray Disc, Aquos Blu-ray, modelos BD-HDW700 (HDD de 2TB) e BD-HDW70 (HDD de 1TB), com capacidade para 3D, que estava anunciado o lançamento para 30 de julho, no Japão, terá drive Blu-ray com capacidade BDXL. Este drive tem capacidade para gravar em até 128GB (BD-R  XL 4 camadas) e 100GB (BD-R XL e BD-RE XL de 3 camadas), ou seja, com disco de 100GB em DR, é possível armazenar até 12 horas de programação em alta definição ISDB-T. Anuncia ainda que a partir de 2011, todos os gravadores de Blu-ray Disc terá o drive BDXL. Veja mais detalhes sobre a mídia e o drive em atualizações do Blu-ray Disc. Press Release da Sharp.  

Veja também:
Blu-ray Disc Player
PlayStation 3 como BD Player
Áudio de alta definição do Blu-ray
Recepção de TV Digital.

            

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