29 de outubro de 2009

Disco de Vinil

Disco de vinil, LP (Long Play), bolachão, ou em inglês, Vinyl Disc, Phonograph Record ou simplesmente Record; não importa como é chamado, é um disco feito de material plástico chamado vinil, ou PVC (Polyvinyl Chloride). Mesmo depois do lançamento do disco com áudio digital, o CD (Compact Disc) em 1982, para substituir este disco de vinil, ele resiste a extinção. Milhões de discos ainda são produzidos anualmente no mundo. No Brasil podem ser encontrados em lojas especializadas ou em grandes livrarias (Megastore). Discos usados são fáceis de encontrar em sebo, e muitos a preços bem salgados.
Vamos conhecer um pouco desta fantástica mídia, que vem conquistando até alguns jovens da era digital, em vez de cair no esquecimento.

História

Baseado em fonoautógrafo (Phonoautograph), que registrava graficamente o som em disco de papel, inventado pelo francês Édouard-Léon Scott de Martinville em 1857, foi inventado o cilindro fonógrafo (Phonograph), que gravava e reproduzia o som, pelo americano Thomas Alva Edison em 1877. Em 1887, foi inventado o gramofone (Gramophone) pelo alemão Emile Berliner, que introduziu o disco plano, com gravação do sulco em movimento lateral, e que podia colocar a etiqueta de identificação no centro.

Muitas evoluções ocorreram, surgindo diversos materiais, diâmetros e velocidades, até a uma padronização aproximada (pois havia pequena variação, dependendo do país, por causa da diferença na frequência da rede elétrica - 50/60Hz) em 78 rpm (rotações por minuto) em 1925, com o início de toca-discos elétrico. Os anteriores eram mecânicos, que giravam através da força da mola, que precisavam dar corda constantemente.

Em 1931 a RCA Victor, lançou o disco de vinil de 12 polegadas (30 cm) para velocidade de 33 1/3 rpm, cada lado com aproximadamente 10 minutos de gravação, um LP, mas devido a problema comercial e econômico e da grande depressão americana, foi descontinuado no início de 1933. Mas por volta de 1940 e durante e após a segunda guerra mundial, foram produzidos alguns discos em vinil de 78 rpm, e até em 33 1/3 rpm, por causa da restrição de fornecimento da goma-laca, que era a matéria-prima dos discos da época.

Em 1948 a Columbia lançou o disco de vinil de 12 polegadas (30 cm) na velocidade de 33 1/3 rpm, com microssulco, permitindo a gravação aproximada de 20 minutos cada lado. O verdadeiro LP havia surgido.
Logo depois em 1949 a RCA lançou o primeiro single (compacto simples) de 7 polegadas (17 cm) na velocidade de 45 rpm, com até 8 minutos de gravação cada lado, com orifício central maior para poder acomodar no mecanismo de troca automática de discos, no famoso JUKEBOX. Chegou a ter uma variação chamada de EP (Extended Play), com qualidade sonora mais baixa e duração aproximada de até 15 minutos cada lado. Por volta de 1960 o orifício ficou pequeno. No Brasil teve muito pouco, pois este disco acabou virando 33 1/3 rpm, com orifício pequeno. Compacto simples (single) com uma música (faixa) de cada lado e compacto duplo com 2 músicas de cada lado.

A Musidisc colocou no mercado, uma série de Mini-LP, que tem tamanho de compacto (17 cm), mas com gravações próximas de um LP (aproximadamente 5 músicas de cada lado). Graças ao microssulco um pouco menor e bem próximos, e com a etiqueta central menor, ampliando a área de gravação. Somente em mono. Pode ser reproduzido em toca-discos normal, mas nunca em posição de automático (nos toca-discos automáticos), porque interrompe a reprodução antes de terminar o disco (etiqueta menor).

Equalização

Analisando o gráfico de audibilidade humana, podemos notar que nas baixas frequências (graves), a nossa sensibilidade é baixa, e temos alta sensibilidade nas frequências superiores (agudos). E por isso, na música, as frequências mais baixas tem amplitude maior e nas frequências mais altas , amplitude menor.

Era utilizado o recurso de atenuação nos graves , para poder aumentar o tempo de gravação, ou seja, reduzindo o espaço necessário para o contorno do sulco, conseguindo assim reduzir o espaçamento entre os sulcos. As frequências altas foram ampliadas por causa dos ruídos e também para a redução de desgaste do sulco provocado pela agulha. Mas não existia nenhuma padronização. Em 1955 foi definido em comum acordo, a utilização da curva de equalização RIAA (Recording Industry Association of America), ou RIAA EQ curves.

Na reprodução é feita a correção, ampliando os graves e atenuando os agudos, como no gráfico, com isso os ruídos de frequências altas também são atenuados. O circuito de correção depende da cápsula fonocaptora utilizada. A cápsula fonocaptora (Phono Cartridge) é um transdutor eletromecânico, pois converte a vibração mecânica da agulha (stylus ou needle), de diamante ou safira, percorrendo o sulco, em sinal elétrico.

Cápsula de Cerâmica/Cristal: Estas cápsulas fonocaptoras usadas principalmente antes dos anos de 1950, são transdutores piezoelétricos, ou seja,  sinais elétricos são gerados quando sofrem pressões. Por gerar sinal de boa amplitude ( em torno de 100 mV - milivolt), e devido a amplitude do sinal gerada ser diferente conforme a frequência (proporcional a velocidade de deslocamento da agulha), e esta variação ser muito próxima da curva de correção RIAA, não há necessidade em utilizar um circuito de correção e amplificação. E também por causa da sua impedância de carga compatível, pode ser conectado diretamente em maioria das entradas de áudio (como AUX). A desvantagem é a baixa compliância, distorção no sinal e do seu peso necessário na agulha (6 a 10 gramas), muito pesado, gerando desgaste maior do sulco, reduzindo a vida útil do disco. Normalmente ainda são utilizadas em toca-discos de baixo custo.

Cápsula Magnética: Lançada nos anos de 1950, para substituir as de piezoelétricos. Precisa de peso reduzido na agulha, aumentando bem a vida útil do disco. Existem dois tipos, MM (Moving Magnet) e MC (Moving Coil).
MM, utilizada pela maioria dos toca-discos, consiste em movimento do magneto acoplado na agulha, para gerar os sinais elétricos na bobina. Gera sinais em torno de 3mV numa impedância de 47K Ohms. A necessidade de peso fica em torno de 2 a 4 gramas.
MC, é o inverso, pois é a bobina acoplada na agulha, que movimenta dentro de um magneto para gerar o sinal elétrico. Mas neste caso o nível é muito baixo, ficando em torno de 0,2 mV, numa impedância em torno de 50 Ohms. Mas a necessidade do peso é inferior a MM, ficando em torno de 1 grama. Devido a sofisticação e alto custo, é pouco usada, apesar da qualidade do sinal ser superior. Encontradas em equipamentos de alto custo (High-end).
As cápsulas magnéticas por gerarem sinais lineares e de baixa amplitude, necessitam de circuito de correção RIAA (equalizador) e de amplificação. Como MM e MC têm características diferentes, necessitam de circuito próprio, ou seja, não pode ligar a cápsula MM em conector para MC e vice e versa. O equalizador é específico para cada um.

É muito importante fazer a regulagem de pressão (peso) da agulha. Alguns toca-discos possuem o contrapeso já com as graduações, e outros que não possuem, é feita a regulagem com o auxílio do medidor de grama, que normalmente vem com o toca-discos. Regule para a pressão indicada na especificação da cápsula.
Muitos toca-discos novos já vem com o equalizador integrado, mas se não tiver, é necessário adquirir um externo, pois a maioria dos AV Receivers de hoje não possuem a conexão de entrada PHONO (Phonograph), que é para cápsulas magnéticas MM. O mesmo vale para realizar uma digitalização no computador, se a placa ou o equipamento não tiver o equalizador.

Como curiosidade, o sofisticado toca-discos solid royal da Acoustic Solid custa em torno de US$ 16,000.00 sem o braço e pesa 50 Kg. O toca-discos um pouco mais simples da Creek, o wyndsor, custa em torno de US$ 3,800.00. Um ótimo equalizador precisa ser a válvula, como TRV-EQ3SE da Triode, que custa em torno de US$ 1,600.00. Um som de excelente qualidade precisa ser reproduzido num amplificador a válvula, pois é um componente perfeitamente linear na amplificação de sinal elétrico. Estamos voltando no tempo!? Então é melhor parar!

Disco Estéreo

Inventado pelo inglês Alan Dower Blumlein em 1931, chamado de som binaural, pela EMI (Electric & Musical Industries Ltd.), que é a fusão das empresas, Columbia Graphophone Company e Gramophone Company. O sistema chamado de 45/45, onde o corte e o movimento do sulco tem ângulo de 45°, e que cada parede é um canal, e a grande vantagem é a compatibilidade com o monaural ou monofônico da época, em que o corte do sulco tem movimento lateral. Foi introduzido o conceito de alta fidelidade (High Fidelity ou Hi-Fi).  Apesar de ter produzido alguns discos de teste em 1933 pela EMI, foi abandonado por não conseguir alta fidelidade em discos de goma-laca, material utilizado na época.

A partir de 1956 a Decca Records, chegou a lançar alguns discos estéreos com o sistema VL (Vertical-Lateral), ou seja, um canal com movimento lateral como no monaural e outro canal na vertical, no mesmo sulco, mas logo foi abandonado por ser incompatível com monofônico (só reproduzia um canal).

Em 1958 iniciaram a comercialização dos discos em estéreo (estereofônico ou 2.0), utilizando a tecnologia 45/45 inventado pelo Blumlein em 1931. 27 anos depois!. Agora em microssulco e em disco de vinil.

Disco Quadrifônico

No início de 1970 houve desenvolvimento de sistema de 4 canais, chamado de quadrifônico ou quadrafônico (Quadraphonic ou Quad). Foram os primeiros surround sound, onde além dos dois canais normais, existiam 2 canais traseiros, esquerdo e direito (hoje conhecido como 4.0). Passou por diversos problemas técnicos, e resolvidos tarde demais, acabou tornando-se um fracasso técnico/comercial. Podemos dividir o som quadrifônico em discreto e matricial.

Discreto: Conhecido como sistema 4-4-4, o verdadeiro quadrifônico, pois desde a sua gravação e a mixagem no estúdio, no disco e na reprodução, estão em 4 canais independentes.
O principal e único sistema aceito, foi o CD-4 (Compatible Discrete 4) ou Quadradisc. Lançado pela JVC, em 1971, teve a adesão de Arista, RCA, Elektra, Warner e outros. Além da gravação normal estéreo, havia a gravação de subportadoras em frequências superiores, entre 18KHz a 45KHz, contendo a adição e subtração de canais, possibilitando assim a gravação de 4 canais independentes no disco, que eram decodificados na reprodução. Era compatível com estéreo e mono.

Matricial: Conhecido como sistema 4-2-4. A gravação original de 4 canais é codificado matricialmente e gravado no disco em 2 canais (estéreo) e depois decodificado na reprodução em 4 canais, neste sistema havia uma pequena perda, e portanto não era totalmente fiel a som original. A seguir alguns dos sistemas matriciais.
SQ (Stereo Quadraphonic): Lançado pela CBS em 1972 e adotado pelas empresas como Capitol, EMI, Epic, Harvest, etc. Era compatível com estéreo, mas tinha problema de compatibilidade com o sistema monofônico. Na ilustração, os LPs Atom Heart Mother do Pink Floyd e Western do Frank Pourcel e sua grande orquestra.
QS (Quadraphonic Stereo): Desenvolvido pela Sansui, e foi adotado por ABC, Decca, MCA, Vox, etc. Era um sistema muito parecido com SQ. Compatível com estéreo. Decodificador deste sistema existia praticamente, só nos Receivers da Sansui, que na época era um dos líderes do mercado ao lado de Trio-Kenwood e Pioneer. Este sistema, chegou a implementar o quinto canal (central), o som quintafônico, utilizado em alguns filmes de 35mm. Era o 5.0, que deu origem a 5.1.
EV Stereo-4: Desenvolvido pela Electro Voice, era um sistema matricial que criava um ótimo efeito quadrifônico. Compatível com estéreo e mono. Na ilustração, o LP Multiple Guitars com Les Thatcher.

Cuidados do Disco: Como é um material fácil de riscar, e também atrai muito o pó (estática), mantenha sempre limpo. Utilize pano macio ou flanela, ligeiramente umedecido. Ele pode até ser lavado, se necessário,  com o uso de detergente neutro, mas com muito cuidado. No manuseio, sempre pegue pelas bordas e/ou na etiqueta central, nunca nos sulcos. Guarde-os sempre na horizontal, nunca empilhe, evitando assim peso sobre ele. A parte central (etiqueta) e a borda é um pouco mais saliente do que o corpo onde tem o sulco, para poder colocar um sobre o outro em toca-discos automáticos, mas evite o seu uso, dê preferência a operação manual. Assim poderá ter o disco por um longo período, mantendo a sua fantástica qualidade sonora, pois a música reproduzida em disco de vinil, tem a alma do artista, que necessita de cuidado.

Existe um lavador automático de LP profissional que tira todas as sujeiras do microssulco, recuperando o som original sem ruídos incômodos. Trata-se do Vinyl Cleaner da Glass-Audio Desk Systeme da alemanha. Colocando o LP e apertando o botão, automaticamente lava os dois lados do disco, em até 5 minutos, todo o processo, incluindo a secagem não demora mais do que 10 minutos. O preço é de US$ 3,500.00. Mais detalhes no site da Glass-Audio Desk Systeme.


Veja também:
Som: analógico x digital
Digitalização
AV Receiver
Áudio puro
Fone de ouvido
Gravador de áudio portátil

3 comentários:

  1. Toshio: exelente artigo sobre áudio, discos de vinil , etc. Hoje em dia a gravação está muito vulgarizada e qualquer coisa que tenha uma taxa de amostragem de 48KHz já serve, afinal a reta lineariza tudo
    Abraços,
    Edson V. Santos

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  2. existe um fenomeno que uma volta antes de inciar a gravacao sonora e ouve se o eco da musica que vai comecar, curioso nao ?

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    1. É, eu também já ouvi isso uma vez em meus discos de vinil... o estranho que é no completo silêncio da faixa que vai começar.

      Não sei qual o motivo leva a ouvir rsrs

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